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Quem é o aluno de hoje e como lidar com ele? - por Maibí Mascarenhas

Educação em foco

03 Abril, 2018

Vamos começar a reflexão pensando em um ambiente qualquer. Por exemplo, a recepção de um consultório médico de hoje, comparada ao mesmo espaço no século passado. Na atualidade, é comum encontrarmos filtros de água, revistas, máquinas de café, televisão de LED, computador, telefone, impressora e celulares. Há 100 anos, via-se apenas a mesa e as cadeiras, ainda presentes hoje.

Porém, compare a grande maioria das escolas brasileiras do século XX com as do século XXI. Com exceção de algumas lousas digitais, artefatos específicos para educação infantil ou recursos de metodologias diferenciadas, continuamos no mesmo formato, seguindo a mesma dinâmica padrão, porém, diante de uma geração completamente diferente das demais. Se pretendemos ter sucesso na educação, precisarmos nos perguntar: quem é o aluno de hoje?

A criança ou jovem, em grande quantidade, tem pouco tempo de convivência familiar, muitos não possuem mais a possibilidade de brincar na rua, a tecnologia está presente constantemente em seu cotidiano e, se por um lado são questionadores, por outro, não tem a oportunidade de realizar vivências essenciais para o seu desenvolvimento. A aceleração de rotina atingiu um alto grau - fato que certamente atrapalha a concentração - e, atualmente, temos o maior índice já visto de crianças e jovens com transtornos, distúrbios, doenças mentais e desequilíbrio emocional. É uma geração com muita informação e pouco direcionamento, para que amadureçam de forma saudável.

Agora, pergunto a nós, professores: Conhecemos nossos alunos? Qual o nosso olhar para eles? O quanto precisamos nos transformar para motivarmos a transformação neles?

Seguem três grandes dicas para potencializarmos a aprendizagem na sala de aula: acolhimento, criatividade e liberdade com responsabilidade.

Criar vínculo é necessário em qualquer faixa etária, na relação professor-aluno. Diversos estudos já comprovaram que o elo emocional na escola faz com que todos aprendam (e trabalhem) melhor. Use recursos divertidos, ouça os estudantes e realmente se importe com eles no todo.

Criatividade é outra estratégia essencial. Se o alunado não é o mesmo, nós também precisamos criar possibilidades de interação diversificadas, que ativem várias áreas do cérebro e permitam experiências construtivas. Vale tudo de bom: conte histórias, brinque, faça teatros, desenvolva games, crie vídeos... Mas coloque-os como protagonistas da própria aprendizagem.

Sendo protagonistas, automaticamente faremos a relação com a última dica. A autonomia exige responsabilidade e ensina, na prática, o olhar real sobre como lidar com a liberdade. Dê a chance de se desenvolverem em intervenções pedagógicas em que a nota não seja o objetivo, mas a consequência de um processo educativo que deu certo.

Este é um universo amplo a ser explorado. Todavia, a satisfação de educar com qualidade é ainda maior.

Maibí Fernanda Chesi Mascarenhas

Docente no ensino superior, especialista em gestão de pessoas, graduada em Pedagogia - licenciatura plena, com aperfeiçoamento em educação inclusiva e gestão educacional e atriz profissional regulamentada pelo SATED/ SP. Aperfeiçoamento em acessibilidade, LIBRAS e áudio descrição. Docente universitária na graduação em Pedagogia na UNIESP Fleming Campinas e nos cursos de pós-graduação de Psicopedagogia e Educação Inclusiva. Docente, gestora e atriz da Água Mágica Produções Artísticas e elaboradora de cursos, espetáculos, palestras e treinamentos lúdicos, educacionais e corporativos. Coordenadora de pós-graduação em Educação Inclusiva do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE) e atuante na área de inclusão desde 2003.