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Inovação em Aprendizagem - Acessibilidade vs. Disponibilidade no Ensino Online - por Lars Janér

Um tema cada vez mais comentado e discutido no Brasil atualmente é a questão da acessibilidade na educação, para portadores de necessidades especiais. De fato uma boa notícia, mesmo considerando nosso atraso em comparação à muitos outros países. Com tantos avanços acontecendo no setor do ensino, poder assistir crianças que são cegas ou surdas participando diariamente dos mesmos tipos de experiências de aprendizado online que qualquer outra criança participa pode ser uma experiência muito gratificante e encorajadora. A tecnologia no ensino avançou a ponto de permitir que isso aconteça sem maiores complexidades.


Nos EUA, a Dra. Sarah McManus, Diretora de Aprendizagem Digital para Surdos e Cegos na NCSD, falou recentemente sobre o que considera ser as duas mais importantes funcionalidades da tecnologia online que permitem a educação inclusiva: a primeira é a acessibilidade, claro - e a segunda é a disponibilidade. "Acessibilidade" não é nenhuma novidade: como diz a Dra. McManus, "os alunos só precisam ter acesso". Acessibilidade garante que a tecnologia não só não vai atrapalhar, mas viabilizar o mais importante: as interações dos alunos com o conteúdo, com os colegas de classe, e com seus professores. E por isso é fundamental que as plataformas de ensino online melhorem continuamente as ferramentas de acessibilidade - como de fato já vem acontecendo.


A "disponibilidade" da tecnologia pode ser menos óbvia, mas é também um requisito fundamental da aprendizagem inclusiva. Estamos falando sobre a disponibilidade da própria experiência de aprendizado, a qualquer momento e em qualquer lugar que a educação online permita. Não se trata apenas de conveniência, mas também da capacidade dos alunos de definirem seu próprio ritmo, com base em suas próprias habilidades e diferenças. Como exemplo, ela cita o aluno Andrés, um estudante da Colômbia que agora se comunica em quatro idiomas, em diferentes níveis: linguagem de sinais americana, linguagem de sinais colombiana, inglês e espanhol. Ele comentou que ler e escrever inglês em fóruns de discussão online era mais difícil do que usar linguagem de sinais para ele, e embora isso possa ser mais um motivo para usar a linguagem escrita nas atividades, o fato é que é ótimo que ele tenha a disponibilidade do vídeo - com a sua webcam ou smartphone - para usar em discussões online e fóruns, como uma opção.


Essa é a combinação ideal, que além atender aos interesses de cada vez mais pessoas carentes de inclusão, permite que sejam ainda mais independentes e participativas. Um dos grandes benefícios trazidos pela inovação tecnológica no mundo da educação.