Pensar, conhecer e realizar | Sujeitos que lembram! I - por Jorge Luiz da Cunha

Desde 1994 estamos desenvolvendo diversos projetos junto ao Núcleo de Estudos sobre Memória e Educação - CLIO, no Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os resultados obtidos estão diretamente ligados ao uso da história oral e das histórias de vida, ou seja, (auto)biograficidade.

Uma das questões que mais fundamenta a história do Grupo de Pesquisas CLIO é o de contemplar a possível relação entre o rememorar, oportunizado pelas práticas da história oral e das histórias de vida, e a constituição das individualidades envolvidas nessas práticas, reconhecidas como um processo de humanização necessário, devido à alienação imposta pela modernidade contemporânea e pelo contexto da respectiva crise global atual.

Para apresentar o tema proposto usaremos três ideias básicas, duas conclusões da história e uma conclusão (embora genérica!) de nossa prática de pesquisa com história oral e com histórias de vida - narrativas (auto)biográficas:

Primeiro: - Os seres humanos, no processo de criação da cultura, se produzem a si próprios. O mesmo processo de criação da cultura foi responsável pela diferenciação dos seres humanos dos demais seres vivos no planeta Terra. O conceito de Ser Humano engloba o conceito de Cultura, o que o distingue das primeiras espécies governadas exclusivamente por leis biológicas. Nessa ótica, o conceito de cultura está impregnado de sentido do humano. Toda a produção da cultura pelo ser humano é, ao mesmo tempo, a produção do ser humano pela cultura.

Segundo: - As atividades alienadas dos seres humanos produzem a cultura alienada. Por sua vez, a existência de uma cultura alienada produz seres humanos alienados e desumanizados.

Terceiro: - Pela rememoração proporcionada, às pessoas envolvidas nas práticas de história oral e de histórias de vida, o passado é reconstituído como fragmentos de um mosaico composto de significados do próprio sujeito que rememora e dos conceitos e características identitárias que lhe são externamente atribuídos.

Nos próximos textos que colocaremos a disposição, vamos refletir e conversar sobre cada uma das três ideias básicas de nossas práticas de pesquisa com história oral e narrativas de vida e procurar estabelecer as relações necessárias com as práticas educativas em todos os níveis de formação humana.