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Educação Infantil: Teoria e Prática | Deixem as crianças serem crianças! - por Debora Corigliano

Educação Infantil

05 Outubro, 2018

Ultimamente tenho conversado com professores que apresentam uma ansiedade muito grande com relação ao futuro de seus alunos. Pensam tanto no amanhã que se esquecem totalmente de viver o hoje. 

Minha infância lembro-me bem, foi passada na rua, brincando, aprendendo, descobrindo e fazendo amigos. Aprendi a andar de bicicleta, a jogar bola, fazer comidinha (com terra e plantinhas), pular amarelinha, brincar de esconde-esconde, pega - pega, duro- mole entre tantas outras brincadeiras. Existia sim, uma rotina: escola, almoço, lição de casa e brincar. Tudo dentro de uma harmonia que hoje vejo, era a ideal. No tempo que exercia a função de ser criança aprendi muitas coisas que carrego até hoje e essas lembranças me deixam muito feliz, saudosa até! 

Lanço aqui uma pergunta. Seu aluno vai ter saudades de que na educação infantil?  Da rotina apressada entre escola, aula de ballet, inglês, natação e futebol? Da apostila que o obrigava a fazer atividades convencionais?  

Todas as crianças precisam ter tempo de serem crianças. Ela precisa fazer coisas de criança, brincar não só com jogos educativos/ eletrônicos e sim com terra, com água, com tinta, com bola, com amigos reais e não só super-heróis, ouvir, criar e contar histórias. Inventar brincadeiras, aprender as brincadeiras típicas da infância, assim como as músicas e a nossa cultura. 

São pequenas ações que compreendem o universo infantil e dão margem a uma vida saudável e feliz. 

Hoje em dia as crianças convivem com crianças na escola, porém isso não basta, pois mesmo neste ambiente infantil, a liberdade de escolha e o tempo não estão disponíveis. Faz-se necessário, na infância, o ócio, que nesta fase será o tempo mais produtivo que ela terá. 

Cada criança tem seu tempo, eu sempre exemplifico dessa forma, ela tem o tempo para começar a falar, andar e se alfabetizar.  E o melhor tempo é o de brincar. Li recentemente um texto que fala sobre o direito de brincar de Gilberto Dimenstein. Ele define o brincar de uma forma tão agradável que resolvi transcrever um trecho do artigo. 

"Brincar é, em essência, experimentar a emoção da descoberta. É surpreender-se investigando, no cume da árvore, as frutas e as flores. É admirar as conchas da praia, olhar os peixes no rio, sentir o gosto da chuva no rosto, sujar-se na lama, entrar nas cavernas. Ou, simplesmente, ficar sem fazer nada vendo as coisas, quaisquer coisas passarem, entretido com o canto de um pássaro. É cutucar a terra, descobrir a minhoca cortá-la em pedaços e ver as várias partes se contorcerem.  É ficar sentado, intrigado com as cores do arco-íris. Na brincadeira, unem-se o prazer e o aprendizado. " 


Proporcionem aos seus alunos alguns momentos para que eles exerçam o papel de criança. 

Aproveite o tempo que seu aluno brinca, para observá-lo. 

Como foi sua infância? Do que você como professor de educação infantil lembra da infância. Se você só tem lembranças ruins, vale a pena rever o que você está proporcionando ao seu aluno. Caso suas lembranças sejam positivas, use-as como exemplo para que seu aluno possa ter a mesma oportunidade que você. 

Crianças que vivem como "crianças" têm em comum o desenvolvimento pleno de suas habilidades. Mesmo hoje, quando comentamos que as crianças são diferentes das de 20 anos atrás, precisamos vê-las como tal. Respeitando-a   sem delegar pressões e poderes que a sociedade atual insiste em forçar. A infância deve durar o maior tempo possível, e todos os profissionais da educação infantil devem colaborar!