Neurociência e Comunicação | Comunicação Não-Violenta - por João Rilton

Neurociência

21 Maio, 2018

O resultado da comunicação entre dois ou mais seres humanos está diretamente relacionado ao potencial emocional que essa comunicação gera. Esse potencial pode ser traduzido como a quantidade de emoções investidas na situação, a quantidade de efeitos físicos/emocionais presentes durante a comunicação, a quantidade de afetos atuantes no momento.  Quando esse potencial está em harmonia, ou seja, quando há compreensão e aceitação entre as partes, ele gera uma sensação de euforia, de alegria e satisfação, é o sentimento que temos quando estamos em um encontro com amigos, com pessoas que amamos, ou em um ambiente onde nossas ideias são bem aceitas. Porém, quando esse potencial emocional não está em harmonia, ou seja, quando uma das partes discorda da outra e ataca por se sentir insegura e ameaçada, esse será o início de uma comunicação violenta: um tipo de comunicação que não se concentra na real necessidade do problema e sim em ataques e julgamentos direcionados ao outro. Observe as frases abaixo:

-Você perdeu a sua caneta outra vez, você é muito desorganizado.

-Quando você vai me levar a sério?

-Você vai ou não vai me ouvir? Ninguém aqui está de brincadeira!

Todas essas frases estão repletas de julgamentos e suposições. Veja a frase do primeiro exemplo, a palavra "desorganizado" está recheada de pressuposições e julgamentos sobre a personalidade e o caráter do outro. A pessoa que perdeu a caneta se sentirá ofendida e provavelmente iniciará uma comunicação violenta e defensiva. Nos outros dois exemplos também podemos perceber julgamentos, pressuposições e ironias que irão dificultar uma boa negociação durante a conversa. Veja como ficariam essas frases se seguissem a ideia do psicólogo americano Marshall Rosenberg, Phd em psicologia clínica e criador do conceito de Comunicação Não-Violenta:

-Você perdeu a sua caneta outra vez, isso está acontecendo com frequência, o que você poderia fazer para evitar que isso se repita?

-Eu valorizo muito a sua opinião e gostaria que você ouvisse o que eu tenho para te dizer.

-Eu me sinto triste, porque da forma como eu vejo essa situação, parece que você não valoriza a minha opinião.

Percebam que nessas frases o julgamento não está presente. A comunicação se mostra de forma objetiva e não ofensiva. Não ataca porque não fala do outro e sim da percepção que se tem da comunicação com o outro. Marshall defende, como resultado de suas pesquisas comportamentais, que essa forma de comunicação pode facilitar as negociações entre pessoas, empresas e países, e trazer esperança para um futuro onde conseguiremos negociar de forma menos violenta. 

Quando somos objetivos e falamos do que estamos sentindo, acessamos a atenção do outro sem que emoções fortes, causadas por ter sua reputação ameaçada, sejam ativadas. Esse processo emocional desencadeado quando nos sentimos ameaçados se chama "resistência". O processo de resistência nos deixa fechados para negociações. É como se não prestássemos mais atenção no que ouvimos do outro, tudo o que queremos é nos defender da crítica.

A comunicação é a habilidade humana que mais se destaca nos dias de hoje.  O domínio emocional e a comunicação assertiva são habilidades imprescindíveis para uma boa negociação entre dois ou mais seres humanos. Viva a comunicação!

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