Inclusão na Prática | Um pedido: se coloque no lugar do aluno com deficiência - por Maibí Mascarenhas

Inclusão

20 Novembro, 2018

Peço licença aos temas acadêmicos para realizar um pedido do fundo da alma docente, daquela raiz que nos segura na profissão mesmo nos dias mais tenebrosos: educador, se coloque no lugar do aluno com deficiência.

Parece uma dica simples e uma solicitação desnecessária, mas não. É importante reforçar que nos empenhemos nisso.

Ao longo da carreira, eu (assim como muitos docentes), que levanto a bandeira da inclusão escolar da pessoa com deficiência desde que me conheço por gente, já escutei frases como: "Não é possível incluir esse aluno" e "Eu não quero esse lixo na minha sala de aula", dentre outras. Sim, estas citações são literais e idênticas. Os primeiros efeitos, após ouvi-las, são dor e indignação, mas o resultado final é dobrar a vontade de apresentar aos colegas de profissão, alunos sem deficiência, alunos com deficiência e comunidade escolar a realidade de quem precisa de adaptações para que seja possível conviver, se desenvolver e, muitas vezes, acreditar no próprio potencial.

Caso seja difícil compreender a realidade mais de perto, simule, mesmo que por alguns minutos, como é se encontrar exatamente nas condições do seu aluno com deficiência. Vende os olhos, não se apoie sobre as pernas, leia textos apenas em idiomas que você não compreenda e anote quais foram as dificuldades encontradas, as soluções que o seu próprio corpo buscou e quais as alterações que você julgou necessárias para sua autonomia e desenvolvimento. Saber é importante, mas a capacidade de perceber em detalhes o contexto de alguém, para docentes, pode ser fundamental para a revisão de suas práticas.

O individualismo e a falta de empatia encontram espaço em inúmeras mentes, conforme é perceptível através da observação de um intervalo escolar ou na leitura de postagens em redes sociais. Cabe a nós, portanto, além de sensibilizarmos nossos olhares e ações, promovermos situações em que os nossos parceiros educadores possam se sentir motivados e responsáveis para que a educação inclusiva aconteça de fato.

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