Inclusão na prática | "Eu não sei o que fazer com meu aluno". Assumir é o primeiro passo para o sucesso - por Maibí Mascarenhas

Inclusão

20 Novembro, 2017

Por mais estudo, vivência e prática que um professor possa ter, sempre surgirão situações desafiadoras, inesperadas e nunca vistas. Obviamente, no campo da inclusão do estudante com deficiência, a realidade é a mesma.

Em um dos mais recentes levantamentos do IBGE, constatou-se um aumento de 600% no alunado com deficiência matriculado na escola regular. Já nos últimos anos, descobertas científicas, experimentos e análises voltadas a estas questões tem aumentado largamente, assim como o reconhecimento de novas patologias. A busca por curas, tratamentos e explicações é incessante e recebemos contribuições constantes da medicina, psicologia e outras áreas. Costumo dizer que é impossível repetir a mesma aula sobre educação inclusiva de um semestre para outro, porque sempre surgem novidades. Entre nossos alunos, mantém-se a regra.

Ou seja: talvez você receba um estudante com um diagnóstico jamais visto, com pouquíssima bibliografia sobre o assunto e raras diretrizes. Pode ser também que, mesmo com estas orientações, você, educador, se veja perdido diante das possibilidades de estratégias adequadas, erros e acertos.

Nesta situação, a tendência mais comum é o desespero, a tentativa de imposição de regras e de enquadrar a criança nas ações escolares, da mesma forma em que fazemos com crianças sem deficiência, ações que nem sempre gerar sucesso. A sequência praticamente inevitável disso é um insucesso, o stress, a frustração, a agitação da sala e a resposta negativa aos estímulos, por parte das crianças envolvidas.

Afinal, por onde começo ou continuo? Como resolver?

Em primeiro lugar, caso você não saiba o que fazer com relação ao seu aluno com deficiência, assuma sem medo. Tire esse peso do insucesso das costas. Ninguém sabe lidar com tudo o tempo todo. Comece por aí, se perdoando e aceitando. O bordão: "Aceita que dói menos" se aplica muitíssimo bem e vai te permitir começar a buscar estratégias que talvez nunca tenha usado. Quando você assume o erro ou o desconhecimento, se despe dos preconceitos e se abre para o que ainda não foi tentado. Barreiras aí, talvez, se tornem muros de escalada para fora da zona de conforto.

Olhe para o seu aluno e comece do zero, se necessário. Lembre-se de que vocês dois são da mesma espécie, peça desculpas caso tenha errado (mesmo que ele não tenha condições de se manifestar sobre) e estude as melhores abordagens do caso. Coloque-se no lugar dele. Busque informações fora do campo pedagógico. Além de teorias,colha experiências de outros profissionais. Dispa-se do que não funcionou, foque na solução e perca o medo de arriscar.

Não saber o que fazer pode ser um excelente jeito de começar algo novo e promover resultados positivos ainda não promovidos.

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