Inclusão na Prática | Dentre as várias conversas e orientações de docentes na área de educação inclusiva, há uma história inusitada e com um desfecho daqueles que marcam para a vida - por Maibí Mascarenhas

Inclusão

20 Junho, 2018

Uma professora, daquelas realmente envolvidas com os alunos, relatou que seu pequeno educando autista, de 5 anos, não realizava nenhuma atividade grafada em papel e, constantemente, escutava dos colegas que não sabia cumprir as tarefas escolares. Oralizados, atento e focado como era, não tive dúvidas de que estás colocações o incomodavam.

Dei, então, uma sugestão:
- Estenda uma cartolina no chão, com tampas de grandes potes de guache, cheios de tinta. Sem que ele tenha chance de processar o raciocínio, pegue a mão dele aberta, mergulhe na tinta, carimbe na cartolina e diga: "Olha! Foi você que fez! É a sua mão"! Depois, vamos ver no que dá. Temos que testar materiais, treinar o cérebro e promover novas experiências.

A professora, comprometida, anotou tudo e saiu. Teríamos um encontro na semana seguinte. Nele, ao abrir a porta, trouxe uma cartolina e seu relato:

- Maibí, fiz o que você pediu. Não sabia o que seria. Mas, quando ele viu o carimbo da própria mãozinha, ele disse: "Fui eu que fiz?". Depois, carimbou essa cartolina inteira, ergueu sua obra de arte e a apresentou para a turma, desfilando, todo orgulhoso. Quando os amigos viram, aplaudiram e eu chorei.

Nem preciso dizer que eu chorei também. Sucesso de aluno é alegria nossa. Acreditamos no pequeno antes dele mesmo e valeu a pena. Daí em diante, encontramos um novo estudante que, a partir do momento em que compreendeu sua capacidade através de uma intervenção que lhe permitiu sentir e introjetar novas possibilidades (antes mesmo de elaborar o raciocínio), nos surpreendeu, finalizando a educação infantil grafando todas as letras, reconhecendo todos os números e escrevendo o próprio nome.

Acredite, professor. Faça. Inove nas metodologias. É possível.

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