Tive uma ideia | O caminho até a ideia, seus oásis e desertos - por Tadeu Brettas

Tive uma ideia

25 Setembro, 2019

O caminho até a ideia, seus oásis e desertos.

 

Estou supondo que você decidiu encarar o fato de que desenvolver o lado criativo só lhe trará benefícios e como uma espécie de guia turístico, quero lhe mostrar as fases do processo de geração de ideias. Veja como carinho a imagem (ou viagem) abaixo:

 


 

Vem comigo: está vendo o primeiro homem, na beira do precipício? Pois bem, aquele é você, recebendo as informações sobre um desafio criativo. Pode ser tanta coisa...um briefing para desenvolvimento de um novo produto, uma ideia para solucionar um problema de logística, uma sugestão de prato em um restaurante, um lugar para a viagem de férias, possibilidades de nome para um cachorro (mas pode ser para a sua iguana de estimação também) enfim, qualquer coisa que o obrigue a mostrar talento para pensar bem fora da caixa.

Essa fase do processo de geração de ideias denominamos "Preparação". Digamos que ela nos traz um certo conforto: nessa fase ainda não começamos a jogar, é um momento mais contemplativo, de atenção ao desafio que temos pela frente. É por isso que você ainda está de pé. Mas...aí se ouve ao fundo da sala, aquela frase cortante: "podem começar a pensar"...em trinta minutos eu retorno para ver o que produziram. E olha quem está falando: alguém que espera muito de você, um superior hierárquico, por exemplo. Deu vontade de sair correndo? Não faça isso, pela imagem é possível ver que há saída.

 

A segunda etapa do processo do processo de geração de ideias é chamada de "Imersão". Só não vale dizer agora em que tipo de substância você estará imerso. Digamos que seja viscosa, traiçoeira, com capacidade de lhe puxar para baixo. E porquê? Porque a angústia de ver o tempo passando e nada de ideia surgindo...é terrível. Tanto que a maior parte das pessoas desiste aqui, deixando para outro integrante do grupo, talvez alguém com a autoestima mais elevada, a missão de parir algo brilhante. Aqui é o meio, a dúvida, o "volto ou prossigo? ", a lama. Então, pensemos.

Se você acompanhou até aqui, justamente a página cinco, o meio desse texto, é porque uma força maior aí dentro sabe que você é capaz. Aja rápido. Afaste-se do problema, fisicamente inclusive. Algumas possibilidades: levante-se, fuja, tome um café, finja um desmaio, uma virose repentina, um telefonema falso ou cometa um sincericídio e diga que precisa de um tempo porque está com um (natural e humano) bloqueio.

Pois a "mágica" acontecerá. Achamos que paramos de pensar no problema, mas isso é no nível consciente do cérebro. No inconsciente continuamos a trabalhar na solução, na ideia e de repente...ela se entrega como uma musa resistente, mas não infalível. A reação é metabólica. Como no parto, a dor é substituída pela alegria de ver a criança. A ideia nasce lambuzada também, cabe a você alimenta-la e reconhecer que você não a teve sozinho (a).

Acabamos de descrever a terceira fase, a "Iluminação".

Alguns autores a chama de "revelação". Seja como for, chegar aqui depende mais de esforço do que de talento. Claro que talento conta. Mas aquela máxima de criatividade é 90% de transpiração e 10% de inspiração é unanimidade entre quem trabalha com a produção de ideias.

É verdade também que as ideias nascem imperfeitas, lambuzadas, como citei acima. Dar um tempo para que ela desamasse, assuma suas verdadeiras formas é saudável. E é preciso estar pronto para sua partida prematura. Muitas ideias, quando vistas sob o rigoroso teste do "dia seguinte" se mostram inconsistentes. Pratique o desapego. Nesse momento, lembre-se que alarmes falsos fazem parte da rotina de quem atua com criatividade e que, quem criou uma, pode muito bem ir mais longe e dar à luz a muitas outras. Autoestima, meu caro. Acrescente foco, força e fé que tudo se resolve.

E de repente, o mundo ficou azul, você também e chegou a hora de verificar se a cria atende ao mundo dos objetivos. Estamos na "Avaliação". Como o nome sugere, se você investiu bastante energia intelectual para pensar em alternativas originais, deve ter antes disso, definido um objetivo, uma razão pela qual ter ideias. É claro que é possível criar apenas por brincadeira, aliás isso é muito saudável. Mas imaginando que você precisa desenvolver essa habilidade com fins profissionais, ter uma razão pela qual reunir tantas mentes brilhantes é previsível.

Resgate, portanto, esse objetivo, olhe para ideia e veja se são mãe e filha. Deu liga? Vá em frente. Caso contrário, recomece. A principal virtude dos criativos é a capacidade de recomeçar sem stress, caso necessário.

O que fazer com tudo isso? Execução, meu caro. Ou "Implementação", prefiro assim. A analogia com "dar à luz" é feliz também nesse caso. Se criamos filhos para o mundo, o mesmo ocorre com as ideias. Já pensou se um cientista, ao ter uma ideia genial para uma vacina, resolvesse guarda-la só para si? Implementação, mesmo sendo a última fase do processo de geração de ideias é só o começo de uma série de outras etapas. No caso de um novo produto, por exemplo, já dá para imaginar a quantidade de montanhas que ele terá que subir até atingir a participação desejada no mercado.