Educação em foco l A educação como uma experiência

Educação em foco

05 Janeiro, 2017

A educação como uma experiência 

Esse meu primeiro texto de 2017 traz uma mensagem ao professor. Uma mensagem que fala da urgência de nos prepararmos para novos tempos. Tempos de mudanças e transformações na educação. Tempos de mudanças de paradigmas, de reconstruções, de reavaliações do sistema educacional vigente. Os sinais de que uma mudança está a caminho são evidentes: nós professores estamos estressados, desestimulados, nos sentimos despreparados para o contato   com o nativo digital, e às vezes penso que até duvidamos da funcionalidade dos conteúdos que ensinamos. Em relação aos alunos, o mesmo processo é identificado: a falta de estímulo, a falta de preparo, a não confiança no sistema de ensino. Vemos uma educação sucateada, desatualizada, desinteressante a nós professores e a nossos queridos alunos. Encontrar professores e alunos felizes e radiantes com a troca de conhecimentos entre si, parece ser quase uma utopia nos dias modernos, mas eu acredito em um processo de evolução que nos levará a obter essa realidade. Esse processo passa diretamente pelo viés do autoconhecimento. Termo que parece ser ousado demais para os meios acadêmicos. Termo que é associado a livros de auto-ajuda e esoterismo.

O autoconhecimento é a experiência de se observar, a experiência de estar de mente presente, cérebro atento observando as reações que os estímulos externos e internos provocam no nosso humor. Se ao receber uma crítica, ao contrário de gerar milhares de pensamentos defensivos, eu gerar um pensamento observador que me traga dados de como eu estou me sentindo, estarei ensinando o meu cérebro a respeito de como agir perante um estímulo, estarei criando uma dinâmica cerebral que passará a observar os sentimentos em relação aos estímulos. Com o tempo eu passarei a me conhecer melhor, a saber como eu funciono, como eu crio minhas estratégias, como eu lido com os meus medos. Eu passarei a ter mais conhecimento sobre mim, autoconhecimento. E qual a ligação entre uma nova educação, o professor e o autoconhecimento? Muitas das nossas crenças como educador nos foi passada como verdades absolutas, incontestáveis. E a primeira delas é que todos os alunos aprendem da mesma forma, basta eu dar a minha aula bem "explicadinha" e tudo tem que funcionar, se não funcionar é porque o aluno não tem interesse, o aluno não se esforça, a família do aluno não ajuda, o aluno tem TDAH, o aluno deve ser medicado.

A falta de autoconhecimento nos leva a fazer julgamentos sobre o outro, sem experimentar o que o outro vive. Do outro lado, a busca por autoconhecimento nos leva a ser mais tolerantes e pacíficos. Em algum momento da vida, nos observamos imperfeitos em alguma área e tomamos a decisão consciente de mudar as estratégias pessoais para alcançar resultados diferentes, que nos evolua, que nos desenvolva, e traga prazer para as nossas empreitadas na vida. Essa escolha consciente, se associada a auto-observação, citada no texto, gerará um processo de aprendizado por experiência. É esse tipo de aprendizado que um educador que desenvolveu autoconhecimento pode oferecer. A Educação como uma experiência.

João Rilton Franco Correia é coordenador dos cursos de Pós graduação em Neurociências Aplicadas à Educação e Psicopedagogia Clínica e Institucional no IBFE. Professor, Músico profissional, Psicanalista Clínico, Instrutor de Programação Neurolinguística.

 

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