Pensar, Conhecer e Realizar | No Século 21 - Jorge Luiz da Cunha

Estamos chegando ao fim do começo deste novo milênio que nos recepciona. No limiar entre o século anterior e o século presente, olhamos e refletimos ao mesmo tempo para a frente e para trás, para o passado e para o futuro a partir do presente. Atrás de nós são 100 anos de desenvolvimento e de progresso em todas as áreas da vida humana. A associação da tecnologia com o conhecimento científico deu ao século passado seu caráter específico. Foi o século da invenção e aperfeiçoamento da luz, do vapor e da eletricidade. Do uso do petróleo foi-se ao uso do gás para a iluminação e desta ao uso da eletricidade. Nós estamos no começo do novo século e continuamos famintos por energia, luz, novas tecnologias e esperamos cada vez mais por novas maravilhas.

Sim, o século passado mudou o mundo completamente. Nos trouxe as ferrovias, os barcos a vapor, esses meios mais importantes do tráfego mundial. Já não viajamos nas diligências, mas nos carros, nos vagões dos trens a vapor ou elétricos. E como a bicicleta se desenvolveu de um aparato esportivo para um dos meios de transporte comuns e acessíveis, também o automóvel está no caminho para seguir o exemplo. Diante dos nossos carros desapareceram os cavalos. E, os carros, que eram um meio de locomoção restrito aos mais abastados, através do desenvolvimento tecnológico se tornaram em grande medida acessíveis a maior parte da população. As vantagens do automóvel para o comércio e o transporte, para não mencionar o seu valor humanitário, são claramente visíveis nas grandes cidades e seu significado para a segurança pública é indiscutível.

Não há quase nenhuma distância intransponível para nós, os humanos modernos. E ainda é necessário considerar que, em bem pouco tempo, chegará o momento em que o avião, um dirigível orientável e veloz, realmente nos transportará ao longo do espaço e do tempo à velocidade da luz.

Os três parágrafos acima são uma tradução livre do alemão, de uma parte da introdução (Einleitung), de autoria de Ernst Kolling, do livro intitulado Illustriertes Jahrbuch der Erfindungen (Anuário Ilustrado das Invenções), segunda edição do primeiro volume publicado em 1901 pelo editor Karl Prochaska, em Viena (Império Austro Húngaro) e em Leipzig (Alemanha).

Do lançamento da publicação até o presente passaram-se 117 anos. Contudo, com certeza, qualquer um de nós que leu os três primeiros parágrafos deste texto, estranhou apenas poucas expressões ou referências ao desenvolvimento tecnológico e científico. E, provavelmente, não localizou mentalmente o assunto no começo do século 20. O desenvolvimento das tecnologias, inclusive as novas tecnologias de ponta, são todas elas aplicações práticas do conhecimento científico. São produções, criações e inovações que mudam nossas vidas e criam possibilidades de vivermos melhor.

Mas, PENSAR, CONHECER E REALIZAR, no século 21 - assim como em qualquer outro século passado ou futuro -, só é possível quando educamos e não reproduzimos. O novo não nasce da repetição! O novo nasce do estranhamento e da desnaturalização que somente uma educação inovadora e criativa pode promover. Caso contrário, corremos o risco de "fazer mais do mesmo" e não melhorar o mundo e nossas existências nele.