Neurociência e Comunicação | Você prefere olhos, ouvidos ou sentimentos? - por João Rilton

Neurociência

20 Novembro, 2018

Você prefere olhos, ouvidos ou sentimentos?

Todo o seu conhecimento vem de aprendizados que você teve durante a sua vida. Isso parece inegável. E agora pense quais foram os sentidos, literalmente falando: visão, audição, tato, paladar, olfato, que você mais usou para aprender. Talvez você não tenha uma resposta imediata para isso. Não é tão simples saber qual sentido você mais usou na sua história de vida. O que posso afirmar é que um deles foi mais exigido, isso é fácil de se conceber, o difícil é conceber uma pessoa que recebeu aprendizados na mesma quantidade em cada um dos sentidos. Isso é quase impossível. E é por essa via, que no texto de hoje, quero falar sobre um assunto da programação neurolinguística chamado Sistemas Representacionais.
Imagine uma criança sendo criada em uma casa onde os pais são músicos. Eles são pais que conversam muito com os filhos, contam histórias e resolvem seus problemas através do diálogo. Há uma chance muito grande dessa criança ter o seu sentido da audição mais desenvolvido que o da visão, por exemplo. Quando eu digo que um sistema é menos exigido que outro não estou dizendo que esse sistema é deficiente. Uma pessoa que tenha predominância no sistema visual pode também ser um excelente musicista. É apenas uma classificação da quantidade de uso de um certo sentido para  aprender alguma coisa. Todos nós temos todas aos sentidos em ação, salvo pessoas com alta deficiência em algum deles. Porém, temos um dos sentidos que é mais usado, e isso nos torna habilidosos no seu uso, e isso faz com que construamos estratégias de envio e recepção de informações por esse sentido, nos comunicamos por ele.
Visual, Auditivo e Cinestésico são os nomes das classificações dos Sistemas Representacionais. Pessoas que utilizaram mais o sentido da visão - visuais - desenvolveram características de comportamento, pensamento e interpretação, diferentes das desenvolvidas por pessoas que utilizaram mais o sentido da audição - auditivos - que por sua vez são diferentes das desenvolvidas por pessoas que usaram mais os sentimentos físicos e psicológicos - cinestésicos - para aprender. Essas características são perceptíveis na forma como usam as palavras para descrever coisas, e também na forma como pensar e valorizam o mundo.
Você já deve ter ouvido falar ou já falou a frase: você viu que música bonita estava tocando? O verbo "ver" relaciona-se à observação de algo com os olhos, mas a frase usa o verbo "ver" como uma observação feita com os ouvidos: ver a música. Isso significa que quem diz essa frase demonstra o seu prazer em ouvir uma música e demonstra isso através das vias visuais. Ver a música bonita que estava tocando. A pessoa de predominância visual pode amar tanto música quanto a pessoa de predominância auditiva, o que muda é a escolha da linguagem que vai expressar esse amor.
A programação neurolinguística aconselha o desenvolvimento das habilidades de observação das formas de comunicação visual, auditiva e cinestésica, com objetivo de criar uma comunicação empática, dentro do sistema representacional que a pessoa fala. As observações e a condução das perguntas devem ser dentro do sistema que o outro utiliza para receber aprendizados. Isso é um ponto chave para se obter clareza durante a comunicação. Explicar um assunto para alguém utilizando o sistema representacional que a pessoa usa,  é o caminho mais fácil para se conseguir resultados positivos com o aprendizado.
O que vejo é que esses exercícios e técnicas para potencializar a comunicação pessoal nos levam a uma condição de ouvintes e observadores, algo muito positivo para quem quer desenvolver o sentimento de autoestima, fator importante para se ter uma comunicação de nível excelente. Observar como as pessoas funcionam e observar o próprio funcionamento, por tudo isso, viva a Comunicação!