Música, Neurociência e Aprendizagem | APRENDIZAGEM E MODALIDADES SENSORIAIS: a importância dos novos estímulos - Profº Esp. Junior Cadima

Neurociência

10 Agosto, 2018

Olá, pessoal. Quero dizer que é uma satisfação muito grande poder dar continuidade a essa coluna, que foi iniciada pelo grandioso educador e amigo, João Rilton. João, você é uma das referências para a evolução do meu caminhar. Gratidão por todos os ensinamentos e pela oportunidade de assumir esse espaço. Também quero agradecer a equipe do IBFE pelo apoio de sempre e a confiança depositada em meu trabalho. A partir de agora trarei aqui discussões e experiências acerca dessas três temáticas: Música, Neurociência e Aprendizagem, e também irei falar sobre Inclusão e Psicomotricidade, pois são áreas que estão diretamente associadas ao meu trabalho e prática pedagógica. Iremos construir diálogos transdisciplinares.

Desde já, sou grato a você por estar lendo esse artigo e que possamos juntos fazer desse espaço um ambiente de experiências e aprendizados. 

No meu texto de estreia irei falar sobre a importância das modalidades sensoriais para o desenvolvimento e processo do ensino e aprendizagem. 

Logo após a primeira infância (0 a 6 anos) os sentidos que mais costumam receber estímulos no processo educacional são o da visão e da audição. Essa situação passa a ser um padrão e para o sistema nervoso central isso gera conforto e segurança, pois ele acessa as informações pelo caminho daquilo que já é conhecido. 

Tudo que é novo gera estranhamento, angústia, desconforto, porque num primeiro momento o sistema nervoso central não irá reconhecer a informação e para ele o "novo" passa a ser considerado fora do padrão. (exemplo: primeiro dia de aula; viagem a uma cidade ou país diferente; início de uma nova atividade, etc... São situações que geram desconforto e informações novas para o cérebro).

Por esse motivo é muito importante o educador, pai e responsável oferecer novas possibilidades e explorar atividades diferentes onde os outros sentidos (SOMESTESIA, GUSTAÇÃO E OLFAÇÃO) também serão estimulados, ou seja, oferecer novas situações que irão promover o "desconforto" e com isso a construção de novos padrões.  

Resumindo: o sistema nervoso central recebe uma informação conhecida e reconhece o padrão que já foi consolidado (CONFORTÁVEL); o indivíduo é exposto ao novo e se depara com estímulos diferentes (DESCONFORTÁVEL). 

O objetivo em oferecer uma situação assim ao indivíduo é a de "quebrar" padrões antigos (caminhos do conhecimento que já foram consolidados) e construir novos padrões = AQUISIÇÃO DE NOVOS CONHECIMENTOS. Isso vale desde a infância até a fase adulta.  

Tudo isso irá proporcionar um caminho rico e engajador para o desenvolvimento, além de ativar novas conexões e circuitos neurais, que irão possibilitar uma maior motivação e prazer no processo de ensino e aprendizagem.