Minha Carreira | Uma dupla improvável - por Marcelo Veras

Minha Carreira

19 Agosto, 2019

"Pessimistas de plantão, vejam essa!" 


Milton tem 63 anos. Engenheiro eletrônico formado pelo ITA e doutor em Nanotecnologia pela Unicamp, acumulando mais de 40 patentes. Já desenhou um avião e agora estuda o desenvolvimento de órgãos humanos artificiais. Cabelos brancos e um sorriso contagiante. João tem 15 anos e é aluno do Sesi de Jundiaí. Cara de menino e perfil quieto (quase tímido). O que esses dois têm em comum? São parceiros (sócios) na criação de uma startup chamada "Ariel", que desenvolveu um drone (veículo aéreo autônomo) para fazer monitoramento ambiental. O equipamento tem alta tecnologia embarcada e usa a inteligência artificial para se movimentar na área a ser monitorada. O teste está sendo feito na Serra do Japi, considerada pela Unesco patrimônio ambiental da humanidade, mas a tecnologia pode ser usada para diversos outros fins, como monitoramento de segurança, áreas construídas, entre outros.

Você já imaginou uma dupla com este perfil criando uma startup? Eu não. Fiquei surpreso e encantado ao conhecer o caso. Isso aconteceu há duas semanas, quando participei da banca de avaliadores do "Projeto Amcham Arena 2019", da Câmara Americana - Unidade Campinas. No ano do centenário da Amcham (2019), além de uma série de atividades, o projeto está fazendo uma seleção de startups pelo Brasil e as mais inovadoras e impactantes irão compor a Arena que será montada em São Paulo no final do ano. Tive o prazer de compor a banca, que avaliou 8 startups em Jundiaí e lá estavam esses dois. Não resisti e, no intervalo do café, conversei com eles, entendi melhor o projeto e pedi autorização para escrever este artigo e usar uma foto dos dois.

Já estou ficando chato (sei disso!) por repetir continuamente aqui que ando apaixonado por este momento histórico. Vivo brigando com os "pessimistas de plantão" que acham que está tudo horrível e que o mundo tem data e hora para acabar. Não sei se sou o errado na história, mas as lentes que uso me mostram outra coisa, na direção oposta. Nunca li algo semelhante acontecendo em outros momentos da história. A nossa era da conectividade e da chamada 4a Revolução Industrial tem produzido uma legião de empolgados, empreendedores e inquietos, que querem desenvolver coisas, mudar o mundo e deixar a sua marca. E o mais interessante é que este fenômeno não tem limites. Sou do tempo que pais e avós, depois que completavam 55-60 anos, se aposentavam, vestiam o pijama e ficavam em casa assistindo a sessão da tarde e esperando a morte chegar. Olha isso agora! Vá atrás e veja quantas pessoas, depois dos 60, 70 anos, estão plenamente ativas, "vivas" e cheias de ideias. Outro paradigma incrível que este caso mostra claramente é a abertura ao novo e à diversidade. Tenho certeza que muitas pessoas ainda acham que um doutor de 63 anos e com 40 patentes não tem nada a aprender com um menino de 15 anos, certo? Mas olha aí! Eu conversei com eles. Essa dupla é incrível. E tem mais, não é só o João que está no projeto. Há outros alunos também envolvidos e o Milton está lá com eles, discutindo, ensinando, ouvindo, aprendendo e criando junto. Repito mil vezes -  Isso é lindo!

Pessimistas de plantão, um recado para vocês: Parem de ler notícias ruins, de assistir programas de televisão que só trazem mazelas, de espalhar o terror e vamos trabalhar para transformar o nosso país com ideias e ações, como o Milton e o João. Até o próximo!