Neurociência e Comunicação | A comunicação espelhada - por João Rilton

Neurociência

20 Agosto, 2018

O assunto do texto de hoje causa muita curiosidade nas pessoas quando o apresento em meus cursos de Programação Neurolinguística (PNL) e de Comunicação Emocional. O que causa esse espanto todo é a simplicidade da informação em contrapartida ao poder que o conhecimento do assunto pode nos dar. Eu falo do espelhamento de gestos físicos durante a comunicação interpessoal, também conhecido, pelos praticantes de PNL, como Rapport. Em outras palavras, é a imitação dos movimentos corporais do seu interlocutor. Se ele senta com as pernas cruzadas, você cruza a sua perna também. Se ele está com as mãos entrelaçadas, convém que você entrelace as suas mãos também. Estudos feitos por John Grinder e Richard Bandler, criadores da PNL, demonstram que quando imitamos os gestos da pessoa que estamos conversando, conseguimos criar mais empatia com ela.

Observe uma criança pequena. Veja como ela percebe os adultos ao seu redor e procura imitá-los. Talvez você já tenha tido a oportunidade de ver um garotinho imitando os gestos do pai, ou uma garota falando com a mesma entonação e ritmo da voz da mãe. Nós temos como dinâmica do processo de vida, a arte da imitação. No início é apenas imitação de gestos, com o tempo esse processo evolui para a imitação de pensamentos, de crenças, de reações emocionais e estruturas para resolução de conflitos. Veja, você é em boa parte a imitação dos conceitos sociais das pessoas que te criaram, ou que de alguma forma fizeram parte da sua vida. 

O espelhamento de gestos ocorre, normalmente, em comunicações com pessoas que nós temos vínculos emocionais, ou pessoas que se enquadrem dentro dos nossos julgamentos sobre como as pessoas boas devem ser. Se eu aprovo a pessoa com a qual eu vou conversar, é bem provável que ocorrerá o espelhamento dos gestos físicos. Isso é um movimento biológico do corpo. É como se fosse uma memória que funciona sempre que o contato for interessante.  E o contrário também é verdadeiro. Sempre que nós não estivermos abertos para ouvir ou negociar com alguém, nossos corpos não estarão espelhados. Esse é um recurso que usamos para dizer para nós mesmos que não devemos  confiar nas informações que chegam do meu interlocutor.

Como conclusão desse assunto podemos afirmar que o espelhamento de gestos físicos pode ser usado, com o intuito de melhorar o processo comunicativo, nos casos onde não temos afinidades com a outra pessoa. Um exemplo disso é quando encontramos alguém pela primeira vez.  Se usamos o espelhamento de forma proposital , temos um excelente recurso para criarmos uma atmosfera mais afetiva e confortável. É como se todo o nosso sistema nervoso reconhecesse o espelhamento como uma atitude pacífica e segura por parte do meu interlocutor. 

Experimente espelhar gestos físicos. Treine de forma sutil, sem que o outro perceba o processo de espelhamento. Observe o resultado da comunicação feita com os corpos espelhados. Treinar Rapport é treinar o cérebro a ser empático, é treinar a observação durante a comunicação, prestando muita atenção no resultado emocional que ocorre durante o processo. Por tudo isso, Viva a Comunicação!