O sentido da Vida | O dilema - por Fausto Ferreira

O sentido da vida

10 Fevereiro, 2019

O DILEMA

 

Comecei o dia conversando com o Inácio, meu grande amigo.

Vida que dói. Será que só em mim? Sei não.

A alegria contagiante das crianças indo para a aula, me faz pensar que não. Quanta felicidade esbanjada nesse momento único que aprecio. Será o efeito do desconhecido? Sim, eles estão apenas iniciando suas jornadas de vida. Para eles, e agora lembrando de mim naquela época, tudo é gostoso e eles saboreiam as brincadeiras, as ordens dos professores, as matérias e se encantam com o novo.

Então, quanto maior o conhecimento e a consciência, mais angústia sentimos? Não era para ser o contrário?

Viria o entendimento, a compreensão, a aceitação para que pudéssemos nos aquietar e nos sentirmos felizes?

Ledo engano Porfírio. A crueza da vida está na realidade confrontada. Nós homens não evoluímos iguais. Essas diferenças nos personificam, bem como causam transtornos de compreensão, levando a confrontos de ideias e até físicos, originando a criminalidade e a maldade. Crassa a maldade e mata-se por prazer.

Pois é Inácio, você tem razão. Melhor, temos razão e não estou nem um pouco preocupado com a modéstia.

Entendo bem que não posso parar de aprender, instigado não só pelas mazelas humanas, na tentativa da descoberta do porquê, mas pelo novo que surge, agora em ondas velozes e gigantescas e que nos afeta.

Minha curiosidade só aumenta Porfírio. Tenho lido bastante sobre o poder dos algoritmos e da inteligência artificial e seus impactos. Num primeiro momento consigo ver progresso para a humanidade em todos os campos do conhecimento, mas tenho plena certeza que, mesmo eu querendo, não beneficiará grande parte da humanidade.

Inácio, comungo de suas ideias como você bem sabe e estamos aprendendo juntos a entender esse mundo. Sinto a mesma tristeza e ilusão seria pensar que todos serão alcançados pelas benesses.

Não obstante, louvo o desenvolvimento. O mundo melhora exponencialmente e não podemos negar. Dessa forma precisamos difundir a necessidade da educação continuada para que a maioria das pessoas, pelo menos, possa tanto acompanhar como contribuir com a evolução e ser contemplada com seus frutos.

Ouço sempre que estamos vivendo um momento ímpar, que ficará para a história e será o ponto focal do interesse dos futuros estudiosos do desenvolvimento humano.

A pergunta que não me cala o pensamento é se esse interesse será pelo desenvolvimento e sua velocidade ou pelo rastro de sangue que estamos deixando. Rastro esse carregado ainda do que podemos chamar de ignorância ativa. Essa que posta em marcha hoje, através das redes sociais e que está causando tantas sequelas nas relações entre os homens.

 

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