Gestão de Carreira e Competências | O Futuro do Trabalho - parte X - por Marcelo Veras

Minha Carreira

20 Março, 2019

"O diferencial do ser humano será ser humano"


Em oitavo lugar entre as competências apontadas como uma das mais valiosas para 2022, temos a Inteligência Emocional, competência que hoje tem sido debatida mundialmente e que está entrando de forma definitiva nos currículos e na agenda educacional. Mas o tema está longe de ser novo.

Charles Darwin, no século XIX já falava da importância da expressão emocional para a sobrevivência e adaptação. Em 1920, o psicometrista Robert L. Thorndike usou o termo "inteligência social" para descrever a capacidade de compreender e motivar os outros. Em 1983, Howard Gardner, em sua teoria das inteligências múltiplas, também incluiu o tema na pauta do momento. Já na década de 1990, Daniel Goleman escreveu o Best Seller "Inteligência Emocional" e o assunto ganhou definitivamente a relevância que merece.

Já escrevi outras vezes sobre esta competência aqui e tenho apresentado dados contundentes que mostram como ela tem sido renegada por muitos profissionais. A pesquisa feita em 2018 pelo Grupo Page, uma das maiores empresas de recrutamento de executivos da América Latina, decreta - "91% dos profissionais no Brasil são contratados por competências técnicas e demitidos por competências comportamentais". Dentre elas, a inteligência emocional é uma das mais relevantes. A falta de inteligência emocional em gestores tem transformado muitas empresas em "fábricas loucos e doentes". Assédio moral, pessoas com síndrome do pânico, profissionais competentes pedindo demissão de seus chefes (e não da empresa) são fenômenos cada vez mais frequentes e que mostram a face dessa ausência.

A escola tradicional ainda segue, em sua grande maioria, focada do desenvolvimento de competências técnicas e de conhecimentos, muitos deles que nunca serão usados na prática, e trabalhando pouco as competências sócio emocionais. O resultado é um só - uma evolução tremenda na ciência e pífia nas relações humanas. A conta desse desequilíbrio chegou e agora teremos que resolver os problemas causados por isso.

O que a pesquisa do Fórum Econômico Mundial mostra, além do que já venho batendo aqui há anos, é que o profissional do futuro, além de conhecimentos sólidos na sua área de atuação, precisará desenvolver muito a capacidade de produzir e criar com pessoas e através das pessoas. Serve pouco ser gênio em algo se não se souber articular este conhecimento com outros e trabalhar em equipe produzindo coisas maiores e mais relevantes para o mundo. Aliás, o mundo do trabalho está cheio de pessoas que foram os melhores em suas salas de aula, tiraram as melhores notas em tudo, mas que essa "inteligência" não se traduziu em resultados concretos na carreira. Repito que o mundo precisa e precisará de pessoas menos "inteligentes" e mais humanas, mais empáticas, mais equilibradas emocionalmente, com mais senso de colaboração e partilha. O conceito de sabedoria está sendo redefinido, principalmente em um mundo com questões seríssimas a serem resolvidas no futuro próximo. Raciocínios e cálculos matemáticos ficarão por conta dos computadores, mas o grande diferencial do ser humano será "ser humano". Até o próximo!

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