Educação Socioemocional | Para que piorar as coisas que já estão difíceis? - por Cristina Corsine

Vivemos hoje em um mundo repleto de "atropelos", incertezas e inúmeros desafios - sistema de saúde e transporte públicos ineficientes, trânsito, desemprego, contas a pagar, excesso de barulho, prazos e metas a cumprir, ideias equivocadas que nos pressionam a ter sempre mais... Enfim, em um mundo em que "tempo é dinheiro", a correria do dia a dia ganha, cada vez mais, a cara de isolamento, frieza e egoísmo. Afinal, parar para dedicar um pouco mais de atenção a quem precisa, cada vez mais, vai sendo deixado de lado. Vamos ficando ilhados nos nossos próprios problemas e "cegos" para o outro. Ao não conseguirmos olhar em volta, o resto do mundo passa não existir. A crescente insensibilidade vai fazendo com que as pessoas se relacionem umas com as outras de forma apressada e, o que é pior, cada vez mais engessada e automatizada. 

Entretanto, somos seres sociais. Podemos ser e fazer muito! Tornamo-nos pessoas através da nossa relação com o outro. A vida acontece nas relações;  não somos uma ilha.

Pesquisas comprovam que, para manter nossa saúde, devemos interagir com outras pessoas. Ou seja, a interação com o outro melhora a nossa sensação de bem estar, transforma humores, potencializa a função imunológica, diminui preocupações e o estresse. Estudiosos do MIT, nos EUA, comprovaram que até mesmo pequenas doses de interação social no trabalho causam grandes ganhos de produtividade.

Mas, não basta apenas estar em contato com o outro. É preciso investir nas relações! 

Respeito, gentileza, empatia, solidariedade, enfim... São habilidades inatas, ou seja, não nascemos solidários, gentis, respeitosos, empáticos...; Não são habilidades espontâneas, mas que podem ser aprendidas e amadurecidas. Referem-se a um modo de agir; Um conceito muito mais profundo do que o simples fato de o sujeito ter, ou não, boa educação. São habilidades relacionadas aos valores pessoais e com o caráter do sujeito e que têm o poder de transformar vidas e relacionamentos. Mudam a forma de enxergarmos o mundo... São capazes de mudar o rumo dos conflitos. 

Isso tudo, além de demonstrar apreço e cuidado para com o outro , desencadeia, também, um novo padrão de comportamento entre as pessoas criando o senso de comunidade e cidadania . 

Precisamos pensar fora da caixinha... Nenhum de nós é único ao sentir-se cansado, a ter problemas, a sofrer pressões no dia a dia. Grosseria não aumenta a renda. Estupidez não melhora o trânsito. Falta de respeito não paga contas. Individualismo não arruma emprego...  

Então, voltando à pergunta do início, para que piorar as coisas que já estão difíceis? 

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