Educação Socioemocional l "Baleia Azul", "Elefante Roxo", "Tigre Amarelo", "Pica Pau Cor de Rosa"...: por que devemos trabalhar as habilidades socioemocionais com nossos alunos?

"Baleia Azul", "Elefante Roxo", "Tigre Amarelo", "Pica Pau Cor de Rosa"...: por que devemos trabalhar as habilidades socioemocionais com nossos alunos?


Ao longo destas últimas semanas temos lido e ouvido muito a respeito de dois assuntos que tanto têm angustiado e assustado famílias, bem como educadores: a série "13 Reasons Why" e o jogo da Baleia Azul. Fui, então, buscar informações para que pudesse acompanhar os alunos e orientar às famílias.
- 13 Reasons Why
Série americana disponível aos assinantes do serviço de streaming Netflix, que está causando interesse em jovens de todo o mundo. É baseada em um livro que tem o mesmo nome e aborda um tema bem pesado: o suicídio de uma adolescente. O motivo para tal? Não foi para chamar a atenção. A jovem sofria bullying dos colegas no ambiente escolar. Mas, antes de tirar a própria vida, ela grava fitas cassete explicando para treze pessoas como elas desempenharam um papel na sua morte: ou seja, os treze motivos.
Vários psicólogos têm alertado que, apesar de tratar de questões contra o bullying, a série não toma os cuidados adequados para tratar do tema. Sugere uma ideia romântica do suicídio como alternativa e vingança contra opressões individuais.
Essa "brincadeira" (Blue Whale) estabelece que o participante faça um pacto com os "curadores", que são os responsáveis pelo jogo. A partir daí, ele passa a receber desafios pelas redes sociais, que devem ser gravados e enviados aos membros do grupo. Geralmente esses desafios são enviados à noite, parta despertar a "curiosidade" dos adultos próximos do adolescente, e começam com metas simples (como fazer selfies assistindo a filmes de terror, por exemplo), mas, com o tempo, vão se tornando arriscadas (automutilar-se) e, principalmente, perigosas (como atravessar uma rua de maneira lenta) até o desafio final, que é cometer suicídio. O jogo teve início na Rússia e rapidamente se espalhou na internet, já tendo várias ocorrências registradas aqui no Brasil. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que está investigando a rede criminosa, os participantes aceitam o convite para o jogo no Facebook e passam seus dados pessoais e de familiares. Posteriormente, passam a receber as orientações por Whatsapp.
Sentir angústia, raiva, tristeza, desânimo é inevitável. Todos nós em algum momento da vida experimentamos esses sentimentos desconfortáveis e não temos superpoderes para impedirmos que as crianças e adolescentes experimentem também. Mas, uma coisa é certa: é possível ensiná-los a lidar com a dor e o sofrimento.

- Baleia Azul

Mas, a coitada da Baleia azul não tem culpa!

Precisamos ensinar nossas crianças e adolescentes a desenvolverem a percepção e a lidarem com seus próprios sentimentos, como ansiedade, medo e tristeza, bem como a se conhecer melhor. Sendo a escola um espaço de convivência, esta certamente apresenta um ambiente propício para isso, incluindo, no seu dia a dia, aulas estruturadas que ensinem a lidar com as emoções. Estas aulas os ajudam a criar estratégias para que possam reconhecer suas emoções, relacioná-las com os pensamentos que as geram e entender como isso acaba por influenciar o comportamento, especialmente quando há uma emoção desconfortável. Assim, nossos alunos serão capazes de compreender melhor as próprias limitações e conhecer suas potencialidades, aumentando, desta forma, a autoconfiança, a autoestima, o autocontrole.

Somente reconhecendo seus sentimentos e emoções e aprendendo a lidar com eles, é que terão forças para encontrar alternativas para lidarem com a angústia e o sofrimento, podendo, então, combater não só a "Baleia Azul", mas também o "Elefante Roxo", o "Tigre Amarelo", o "Pica Pau Cor de Rosa", entre outros.

Ensinar e promover o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, além de desenvolver comportamentos essenciais para uma performance acadêmica positiva e para uma boa qualidade nos relacionamentos em geral, protege nossos alunos de vários distúrbios emocionais, melhorando a sua capacidade ao lidarem com perdas e frustrações e os ajuda a aprender a valorizar o nosso bem mais precioso: a vida! 

 

Porém, é sabido que para que programas escolares com foco na educação socioemocional sejam satisfatoriamente desenvolvidos no país, é necessário investir na formação de professores.  É preciso empoderar os educadores não apenas com conhecimentos científicos, mas, principalmente, de práticas e estratégias para o trabalho na sala de aula: O QUE e COMO fazer. É a produção de saberes e fazeres que se concretizem na criação de novas modalidades de práticas na escola. O cuidado, atenção e construção de um novo olhar da atuação pedagógica.

Assim surgiu a ideia de estruturar o Curso de Especialização em Educação Socioemocional e Práticas na Escola cuja principal aposta é no sentido contribuir com a formação dos educadores através de novos conhecimentos articulados às estratégias práticas aplicáveis no dia a dia da escola; contribuir para que os educadores sejam capazes de oferecer atendimento educacional que promova o desenvolvimento integral do aluno levando em conta as necessidades, as limitações, as potencialidades e os interesses de cada um, com a ciência de que existe uma série de aspectos que são mais relacionados à atitude do que ao conhecimento puro e simples.

 

Cristina Corsini

Coordenadora Nacional do Curso de Pós-Graduação em Educação Socioemocional e Práticas na Escola do IBFE.

Psicóloga e pedagoga. Mestrado em Psicologia Escolar. Especialização em Psicopedagogia em Neurologia Infantil. Docente graduação e pós-graduação. Coordenadora Pedagógica e Orientadora Educacional na rede particular, palestrante e tutora de estudo. Autora de livro.

 

 

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