Educação Socioemocional | A formação dos professores e as competências socioemocionais

EDUCAÇÃO - direito assegurado pela Constituição Federal e Estatuto da Criança e do Adolescente, que deveria proporcionar o desenvolvimento de forma integral em condições de liberdade e dignidade, respeitando e valorizando as diferenças, sendo esta o alicerce indispensável e condição primeira para o exercício da cidadania e acesso aos direitos sociais, econômicos, civis e políticos. A escola, além de promover o sucesso acadêmico, deveria ajudar seus alunos a interagirem socialmente de forma respeitosa, adotarem comportamentos seguros e saudáveis, agirem eticamente, bem como a terem postura democrática e cidadã.

MAS, analisando as nossas práticas escolares, será isso a realidade educacional brasileira?

Nossa cultura educacional ainda está impregnada daquilo que podemos chamar de "hipótese cognitiva", ou seja, de que o sucesso depende capacidade cognitiva do indivíduo e que, de certo modo, tem seu poder de "sedução", uma vez que prevê um - mundo linear e claro em que as atitudes tomadas agora levarão, certamente, a resultados mais tarde... Menor quantidade de livros lido hoje, menor capacidade leitura no futuro; menos diálogo hoje, menor nível vocabulário no futuro. Simples, assim!!

No entanto, nos últimos anos, as evidências dos estudos nas áreas da Economia, Psicologia e Neurociência confirmaram a ligação entre habilidades cognitivas e bem-estar socioemocional. Estudos brasileiros também atestam a importância dessas competências. Alunos mais responsáveis, focados e organizados aprendem em um ano letivo cerca de um terço a mais de Matemática do que os colegas. Essa conclusão foi tirada de uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna (IAS), realizada em 2013 com 25 mil estudantes avaliados pela Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Já o desempenho em Língua Portuguesa foi melhor entre quem tinha maiores níveis de abertura a novas experiências, mesmo se vinha de famílias menos favorecidas. 


Desmistificando...

Trabalhar com habilidades socioemocionais não é um trabalho focado somente nos sentimentos, ou valorizar traços de caráter no sentido de sugerir quais são "recomendados" e, de modo indireto, responsabilizar o aluno pelos fracassos na escola, nem mesmo trata-se de uma tentativa de mudar a personalidade em prol de disciplina ou aumento de rendimento. Competências socioemocionais e conteúdo acadêmico caminham juntos e precisam ser trabalhados de forma intencional e concomitantemente nas escolas. Trata-se de um trabalho, que irá desenvolver aspectos como  ou falta de confiança, que afetam a aprendizagem e o bem-estar. De acordo com o Ministério da Educação (MEC) / BNCC as competências não-cognitivas têm de ser desenvolvidas de modo integrado a todas as áreas, não como nova disciplina. Nada muda na grade curricular, afinal não faz sentido criar disciplina específica sobre tema. Todo espaço de aprendizado é uma oportunidade para desenvolver as competências de que nossos alunos necessitarão ao longo da vida.


Em sala, como fazer?

Não existe fórmula mágica, e sim intencionalidade na prática. A escola tem conexão com a realidade, com a vida! A escola não é uma ilha!!! Por isso, os sistemas educacionais têm a responsabilidade de apoiar as crianças nesse sentido.

A escola precisa REunir o que, na verdade, nunca foi separado e, para tal, os professores desempenham um papel ímpar - deles é esperado que ofereçam suporte emocional aos alunos, criem um clima de aprendizagem acolhedor, enriquecedor e estimulante, sejam modelos de regulação emocional,  orientem os alunos em situações de conflito, estabeleçam relações colaborativas com as famílias, direção e colegas...  e correspondam às exigências da avaliação de resultados escolares. 


Será que formação académica dos professores fornece preparo e ferramentas que vão ao encontro das necessidades apontadas acima?




Professores com boas competências socioemocionais possuem visão realista das próprias características e capacidades - suas forças e fraquezas emocionais, reconhecem suas emoções e as utilizam para motivar a aprendizagem na sala de aula. Também demonstram empatia, reconhecem e compreendem as emoções e perspectivas dos outros, estabelecem relações interpessoais positivas, tomam decisões de forma responsável e ponderada, levando em consideração o impacto das suas atitudes e escolhas em relação a si e aos outros. 

Apesar de pesquisas salientarem a importância das competências socioemocionais dos professores, a verdade é que estas têm sido negligenciadas na formação acadêmica destes profissionais. Várias são as situações em que é possível verificar a falta de habilidades necessárias por parte desses profissionais para lidarem com os desafios diários da sala de aula, levando-os a experimentar um elevado nível de stress emocional, que repercute na qualidade do seu trabalho e, inclusive, levar ao burnout.


Ser "autor das mudanças" exige desenvolvimento das próprias habilidades.

Para que programas de educação socioemocional junto aos alunos sejam realmente eficazes, é fundamental que haja investimento na formação dos professores - Este é o objetivo do Curso de Especialização em Educação Socioemocional e Práticas na Escola, oferecido pelo IBFE.


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