Educação em foco l A importância do Brincar.

Psicomotricidade

03 Abril, 2017

A importância do Brincar.

A criança aprende brincando! Essa afirmação é base para muitas pesquisas e estudos, mas, para nós, da área de educação física, essa afirmação é vivenciada diariamente. Não há outra linguagem de maior compressão infantil do que as brincadeiras e as atividades lúdicas.  Através do prazer em fazer, do divertimento, da sociabilização e do objeto concreto, a criança aprende muito mais!

Aprende não somente a brincar, mas a entender, dividir, socializar, ganhar, perder e, sobretudo, a compartilhar. As brincadeiras possuem a "magia" da linguagem infantil e, através delas, adentramos em um universo criativo e fantástico chamado infância.

Na realidade formativa e escolarizada, perdemos horas tentando explicar a uma criança como resolver um problema de matemática, mas através de um único jogo lúdico ela é capaz de vivenciar o problema, afixar e guardar a função. As brincadeiras são importantes para o desenvolvimento social e cognitivo da criança e a escola, por sua vez, poderá ser o viés na intermediação entre o sujeito da aprendizagem e o objeto do conhecimento. O jogo vem a ser a pilastra de caráter estimulador e motivacional com relação à aprendizagem.

Todo o conhecimento expresso através do lúdico, porém, precisa ser estudado e as suas metodologias aplicadas e testadas para que, assim, suas regras e interpretações não prejudiquem ou dificultem a aprendizagem. Nessa circunstância, surge a importância do profissional educador em ter o conhecimento específico para o desenvolvimento e aplicação na escola.  

Na aplicação dos jogos, o professor deve ser um guia; ser um desafiador/estimulador da inteligência; ser um problematizador; analisar e discutir o porquê, para quê, para quem e os efeitos dos jogos relacionados aos propósitos e aos novos conhecimentos; ter consciência do que faz e saber por que faz; ser um libertador e estar seguro; motivar sempre os alunos; ter variedades de jogos e técnicas; adaptar-se a realidade e ter flexibilidade; preparar e conscientizar os alunos para os jogos em grupos; relatar e publicar experiências para que outros possam conhecê-las; o mediador das relações que se estabelecem e das situações que surgirem.

Ao observá-la no ato da brincadeira, do jogo, o professor poderá conhecer melhor a criança com quem está trabalhando, além de poder tomar ação, mesmo sabendo que o jogo é uma atividade espontânea das crianças. Na observação, o professor verá o momento certo de sua participação e qual intervenção é interessante para enriquecer a atividade, muitas vezes, introduzindo novas situações, questionando, introduzindo novos personagens ou novas peças no jogo, para que, assim, este se torne mais rico, atrativo e estimule interesse nas crianças, o que, consequentemente, aumentaria as possibilidades de aprendizagem.

Nos jogos e brincadeiras, a criança passa a trocar experiências, a viajar pela imaginação, a interagir, a ouvir e ser ouvida, a criar significados para si e para o mundo em que vive, a expandir os limites. O educador atento pode aproveitar os exemplos surgidos nas atividades lúdicas e transportá-los para as situações cotidianas. Nesta linha de pensamento, vários estudos apontados por Piaget e Vygotsky fazem referência ao jogo como promotor de aprendizagens: seja ele de conteúdo sistematizado ou não pela escola.

Para tanto, é necessário que se faça uma leitura deste cenário propiciando o acesso aos jogos e brincadeiras como componente pedagógico, colaborando com o desenvolvimento de habilidades e favorecendo o convívio em sociedade.

 

Fernanda Carone

Mestre em Ciência do Esporte FEF/UNICAMP (2010). Possui Licenciatura Plena em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1994) e Pedagogia pela FALC (2014). Possui Pós-graduações em Psicopedagogia pelo IBFE Campinas, Pedagogia do Movimento (2002) e Pedagogia do Esporte Escolar (2004) pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP. Diretora Pedagógica do Ensino Médio e curso Pré-Vestibular no Centro Educacional Objetivo, unidade Vila Industrial em Campinas.


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