Artigo mensal | Gestão Eficaz de Escolas: A Importância dos Indicadores na Gestão das Escolas / O que o IDEB diz sobre a educação básica

Gestão de escolas

05 Outubro, 2016

A Importância dos Indicadores na Gestão das Escolas / O que o IDEB diz sobre a educação básica


Rodrigo Pires de Morais

 As recentes divulgações do IDEB trazem indicações importantes sobre o momento em que estamos vivendo na educação. O IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) combina informações de desempenho (notas obtidas em exames padronizados em matemática e português) e rendimento escolar (índice de aprovação). O grau de especificidade do índice é tão grande que podemos obtê-lo por região do país, por estado, município e até por escola. Os números divulgados recentemente se referem a informações colhidas em 2015, quando aproximadamente 40.000 escolas foram avaliadas.

A partir de dados preliminares, estabeleceu-se uma meta (6,0) para o IDEB nacional a ser atingida até o ano de 2021. Isto significaria alcançarmos o nível de qualidade educacional em termos de proficiência e rendimento equivalente à média dos países desenvolvidos e que são membros da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE). Essa comparação internacional só foi possível devido a uma técnica de compatibilização entre a distribuição das proficiências observadas no PISA (Programme for Internacional Student Assessment) e no SAEB (Sistema de Avaliação de Educação Básica). A partir daí foram estabelecidas metas intermediárias bianuais e que levariam a meta final.

Os dados divulgados recentemente mostram que nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º e 2º ano)a meta nacional (5,2) foi atingida (5,5). Nos anos finais do Ensino Fundamental (8º e 9º ano) a meta (4,7) não foi atingida (4,5), porem com uma baixa diferença entre o observado e a meta. No Ensino Médio o valor obtido (3,0) é que notamos uma maior lacuna, ou seja, uma maior diferença entre a meta (4,3) e o verificado. E o mais grave, este valor encontra-se estagnado desde 2011. Para todas as séries, as escolas da rede pública atingiram a meta e as da rede privada não atingiram (existem metas diferentes para as escolas privadas e são maiores que as da rede pública). No Ensino Médio ainda, em 2015, apesar de 18 Estados terem aumentado seu índice em relação a 2013 (contando rede pública e privada), apenas Amazonas e Pernambuco conseguiram alcançar a meta estabelecida pelo MEC no Ensino Médio.

Isto tudo vem reforçar duas questões: a primeira é a clara necessidade de reformulação da estrutura e das metodologias do Ensino Médio. Vivemos uma profunda crise no processo de aprendizagem dos jovens nessa faixa etária. Escolas focadas no conteúdo, currículo engessado, metodologias ultrapassadas são velhos problemas já conhecidos da sociedade. Mas o principal problema e a meu ver, o mais importante é o modelo pedagógico. As propostas de mudanças deveriam contemplar esta questão. É necessário renovar as práticas pedagógicas para que os jovens não só trabalhem com informação, mas que desenvolvam competências, habilidades e questões socioemocionais. As disciplinas precisam ser planejadas a partir de objetivos pedagógicos e não apenas a partir do conteúdo que o aluno deverá aprender. A segunda questão é que temos que pensar educação a partir de dados e não mais de suposições, a "achismos".

Se os dados do IDEB se tornaram uma interessante fotografia do momento atual e uma poderosa ferramenta de análise e se estamos refletindo sobre um sistema educacional inteiro a partir desses dados, cada gestor terá essa mesma ferramenta se utilizar dados mensuráveis em todas as áreas da escola, definir metas a serem atingidas, elaborando e executando planos de ação em conjunto com as equipes pedagógicas e administrativas. A Gestão Escolar só se profissionalizará a partir do uso de indicadores.

Os dados do IDEB podem ser acessados pelo endereço eletrônico: http://ideb.inep.gov.br

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